Tudo Deixa De Ser Quem Era


Tudo acaba...tudo morre.
Morre o homem e sua mocidade,
Esvai-se o querer e a saudade,
É um ciclo que se agita e decorre...
Tudo fenece nesta vida!...

Morre a sabia mais sabida,
Vai-se o homem de mais valor.
Extingue-se o mais intenso amor
E muita promessa prometida...
Nada neste mundo e imortal!...

Queda-nos um recordo banal
Do que ficou tão distante...
Até o mais saudoso emigrante
Esquece sua Terra Natal!
Nem tudo o que se vê é alvura...

Como a aurora desfaz a noite escura,
Com a verdade ilusões se desvanecem.
Olha-se o trágico fim e apenas permanecem,
Simulados bens desta vida que não dura.
Tudo o que se move terá que parar!...

Neste intervalo do nascer ao expirar
Por deus designada para Deus nascida,
Com a lança da saudade quantas vezes é ferida
Ficando apenas a desdita a lamentar
Quando se escapa a vida ao moribundo...

Tudo se esvai no pélago profundo
Que devora vidas, aspirações e glórias.
Deixando apenas vácuos recordas e memórias
Do nome que só ficou lembrança neste mundo.
Triste quem ama, cego quem se fia...

Tudo se expila na tumba húmida e fria.
Tudo se extingui ficando o nada a abraçar...
E porque a morte não podemos parar,
Silenciosa por certo, por nós passará um dia
Murmurando apenas pelo nosso nome...

E porque na vida tudo se consome,
Que ninguém se envergonhe de ser mendigo
Pedindo por esmola um morno e ameno abrigo,
Uma fatia de pão para matar a fome,
Um afago para a saudade serenar...

Tudo finda ou acaba por se dissipar!
Tudo, tudo deixa de ser quem era
Mas, sempre haverá uma nova primavera
A quem deus conceda a graça de contemplar,
Trazendo o fulgor a alma com flores da alegria...

Ó requinte cinzel da fantasia!...
Grava na terra tua ultima imagem de primor,
Traça nela as linhas da saudade e do amor
P'ra que sejam lembradas em cada ano um dia.

Autor: Denis Cavadas


Poemas de Denis Cavadas