|
Que Sorte Eu Tive De Nascer
Que sorte eu tive de nascer!
De vir ao mundo e nele crescer,
De poder sentir e poder chorar,
De poder ver e poder sorrir,
De me alimentarem e poder dormir,
E a ter a meu lado também
A mulher que pude esposar.
Que sorte eu tive de nascer
E no meu leito afagado poder adormecer,
Ter o quente afago nas noites de algor.
Aceitar o destino que a vida me quis dar,
Pegar na dor e até a ela abraçar:
O que nos deu Deus foi tudo por amor.
Que sorte eu tive de nascer,
Ver a dois lindos seres crescer
E sendo filho ser também pai.
Ter o deleite de as poder guiar,
De carinho, abrigo e pão lhes dar
E reter memórias do tempo que já lá vai...
Que sorte eu tive de nascer
E contemplar os campos a florescer!
Admirar o brotar e a perfeição de cada flor,
O infinito do universo e o sorriso das crianças.
Viver doces alegrias minhas dores e esperanças,
O bálsamo das penas e a harmonia das cores.
Que sorte eu tive de nascer,
Deliciar-me com o deleite do alvorecer,
Maravilhar-me com o erguer e por do sol.
Na fonte que corre ligeira a cantar
Lavar minhas penas p'ra depois do luar
Voltar a ouvir os cânticos do rouxinol.
Que sorte eu tive de nascer
Para olhar a natureza e deixar-me enternecer
No mar que placidamente múrmura.
As estrelas no céu fulgentes a brilhar,
As aves trinando seu belo cantar,
A brisa suave... Quão grande ternura!
Que sorte eu tive de nascer...
Pelo que quis e não pude ser
Mas sorte de ser aquilo que sou...
Pelo que fui e não quis...
Sorte pelo mil vezes me fez feliz
E um ameno recordo me deixou...
Que sorte eu tive de nascer.
De ver meu rosto envelhecer
Com a vida que se vai tão de repente.
E porque vim da terra pó irei ser,
Também serei ditoso de poder morrer
Para então reviver eternamente.
Autor: Denis Cavadas
Poemas de Denis Cavadas
|