Se o teu dito amor era chama

Bem depressa se desvaneceu!

Impostura é o que melhor se chama

Esse teu jurado fervor teu.

 

Se algumas vezes choras-te

Também muitas outras sorris-te.

Foste tu que abandonas-te;

Sem dizeres adeus partis-te...

 

A união deve ser uma balança

A quem tu não quiseste balançar,

Deitas-te fora toda a esperança

Sem um contrapeso buscar.

 

Ainda o eco se escuta

Da dor e do meu lamento...

Da tua ida, brusca e sem disputa

Que me furtou a vida e o alento.

 

É densa como a noite de breu,

É dolorosa a separação...

A nossa o que mais me doeu,

Foi nela não encontrar uma razão.

 

Foi como perder a vida num instante

Ao ler aquela folha de papel;

Dizias que te ias com um amante,

Revelando que há muito me eras infiel.

 

Foste-te, levando contigo

Toda a minha razão de viver,

E, este vazio que quedou comigo

Confesso-o, não é fácil de preencher.

 

Que te dá ele que não te dei

Pois se tudo dar te quis?

Que pedis-te que eu recusei

Para que fosses ao meu lado feliz?

 

Procuro-te a cada hora do dia,

Anseio-te do por do sol ao alvorecer.

És a fonte da minha nostalgia,

És veemência que não posso conter.

 

E de pranto choro amargamente

Pois não suporto a solidão...

Um amor quando dentro se sente,

Não é fácil extinguir do coração.

 

És o refúgio aonde me gosto esconder,

O leito onde os meus sentimentos dormem.

És passado que não posso esquecer...

Contigo, junto a ti...são fervores que me consomem.

 

Sempre vens a meu pensamento,

Admito-o que o não posso evitar.

Quando o tempo é demasiado lento,

Sempre vens em minha mente poisar.

 

Se hoje te perguntares por mim,

Saibas, que muito de ti quisera saber;

Dizer-te que florente persiste o jardim

Que no peito cultivei para te oferecer.

 

Se em mim deixares deter teu pensamento,

Fecha teus olhos bem cerrados,

Deita um suspiro ao vento,

Recorda nossos tempos passados...

 

E se ainda em teu pensamento poisar,

Que deus bendiga tua mente

E muita ventura te possa ofertar

No amanha e no presente.

 

Dizem que hoje estas arrependida;

Não o sei por ti e se o estas de verdade...

Até de novo quisera trazer-te a minha vida

Mas, seria deitar fora a dignidade.

 

Se alguém por aí

Estas minhas estrofes ler,

Do que hoje vos escrevi

Muitos o podiam dizer...

 

Denis cavadas 12-10-02