Olhando O Mar


 


Sentado na areia e olhando o mar...
Nas vagas serenas meu olhar depositei,
E no bater constante do seu desenrolar
Teu amor por mim nelas comparei...
  
Na areia húmida branca e macia,
Com as mãos tremulas teu nome escrevi
Mas, vieram as ondas e na sua atonia
O delir do teu nome com a espuma vi.
  
No alto, de novo o escrevi pela segunda vez
Esperando então que ai ficasse eternamente.
Mas, veio a maré e da areia o desfez
Fazendo de minhas penas, magoada ente...
  
E nesse mar sereno que nunca adormece,
Meditando fiquei contemplando o Por do Sol.
E numa visão vi tua imagem que aparece
Para logo se ir com o esvaecer do arrebol.
  
Vejo na solidão do mar e no esplendor do céu,
Um barco que passa, uma Estrela olhando-o passar...
Das brancas velas a abanar minha alma estremeceu
Na visão de o ver com nosso amor naufragar
  
E contemplando a abobada Celeste.
Fascinado pela brilho duma Estrela fulgente,
Reconheci enfim que quica com amor nunca me quiseste.
Subitamente revelou-me uma Estrela cadente...
  
E na desesperada monotonia do mar.
Mar que dos homens nunca foi bom amigo,
Compreendi que a morte deve ser um mundo a conquistar...
E no aninho do mar nunca se encontrara abrigo...
  
Mas no Paraíso hei de escrever teu glorioso nome.
Meus versos tuas raras virtudes quero eternizar...
O desespero, a angustia que agora me consome
Então não me enfadara que as leve o mar.
  
Denis Cavadas


Poemas de Denis Cavadas