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Ó
mar
salgado,
teu
sabor
a
sal,
São
lágrimas
vertidas
de
mães
de
Portugal,
Lágrimas
que
a
teus
pés
de
dor
choraram.
A
quantos
filhos
ό
mar
o
pai
ousas-te
roubar.
Quantas
noivas
ό
mar
deixas-te
por
casar.
Quantos
homens
em
vão
teu
dó
imploraram...
Ó
mar
cruel
que
foste
pavor
e
dor
Daqueles
que
passaram
além
do
Bojador
Temendo
as
garras
do
teu
pélago
profundo;
Voltarei?
Era
a
pergunta
com
resposta
incerta,
Eles
que
iam
a
procura
da
terra
indescoberta,
Que
queriam
conhecer
outros
mares,
outro
mundo.
Ò
mar
soturno
sem
tempo
nem
espaço.
Mar
ladrão,
perverso,
sem
alma
nem
regaço.
Mar
ignoto
que
não
se
sabe
o
que
és
por
vezes.
Mar
da
morte,
das
penas
e
desventura...
Mar
que
tragas-te
sem
lhes
dar
sepultura
Também
a
tantos
pescadores
portugueses.
Deus
quis
o
mar
dar-te
a
mansidão,
o
perigo
teu.
Quis
em
ti
espelhar
as
grandezas
do
céu.
Quis
que
olhando-te
se
pudesse
horizontes
contemplar.
Nas
noites
de
breu
deu-te
um
manto
de
estrelas.
Ofereceu-te
para
alumiar
as
caravelas,
A
pálida
Lucina
que
em
tuas
águas
até
se
vem
banhar.
Ó
velho
mar,
possuidor
dos
tempos
sem
fim:
De
ti
sempre
sonhei,
sempre
quis
em
mim
Compreender
tua
amplidão,
teu
verso...
O
mar
azul
aonde
o
alvor
e
o
arrebol
e
beleza.
Mar
de
glória,
traslador
da
língua
portuguesa
A
novos
povos,
novos
céus
deste
universo.
Mar
sem
tréguas,
tuas
vagas
são
até
o
refúgio
meu.
Admirando
as
estrelas,
contemplando
o
céu
Na
tua
imensidão
deixo
minh’alma
navegar...
Mas,
ante
teu
fremir
enquanto
olhando
os
céus,
De
olhos
no
Alto
dei-to
um
rogo
a
deus:
Que
roubares
mais
vidas
não
te
vá
deixar.
Escrevi
esta
estrofe
a
beira-agua
Tendo
meus
olhos
tristes
pela
mágoa
Da
magoada
historia
do
drama
que
me
foi
contado:
Um
barco
de
pesca
este
mar
o
desfez;
Três
pescadores
com
sonhos
de
português
Que
lhes
foi
pelo
mar
das
mãos
arrebatado.
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