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Recordar,
é poisar por um momento,
Não
só o olhar mas também o pensamento,
É
da alma lembrança do que por nos passou…
Deus
deu-nos uma memória para rosas imaginar.
Deu-nos
a mente para pensar, para relembrar
O
esplendor da vida que da vida se abalou.
Memórias
são factos que não esquecem,
São
imagens que permanecem
Na
mente, na alma e no coração.
Recorda-se
sempre o bem e o mal.
Lembra-se
o principio e o final,
O
amargor da pena, os momentos de emoção.
Lembrando,
vou vinte anos atrás,
E
revivendo o que me foi apraz,
Imagino
as duas torres gémeas…
Tão
belas, esguias, tão elevadas!
Como
era deleitoso admira-las!
Altas,
tão pertinho das estrelas.
Hoje,
tamanha relíquia já não existe
Mas,
em minh’alma ainda persiste
Uma
imensa saudade, esta dócil lembrança:
Nas
minhas recordações sempre levarei,
O
dia em que pela primeira vez as visitei
Com
minha filha que era ainda criança.
Porque
se esquecemos é porque temos que
esquecer…
Em
meu peito sempre
irei maviosamente reter
Ternas
e aprazíveis memórias do que de vos
lembro.
Mas,
se memórias por vezes se esvaem com o
vento,
Uma
horrorosa visão que permanecerá no
pensamento,
Será
a tragédia, as atrocidades de onze de
Setembro.
Trágico
caso que será perene lembrança deste
mundo,
Que
jamais sucumbira num pélago profundo,
Que
enquanto gente houver, será recordo e
memória.
Toda
a vida se desfaz na tumba regelada
E
após o esquecimento fica apenas um nada
Mas,
aquela manhã, cinzelada ficará na
pedra da história.
Cada
dia, o sol jubiloso a terra percorre,
E
renovando o seu curso renasce e more
Por
detrás dos horizontes que podemos
contemplar.
Porém,
naquela manhã soleada
e mansa,
Quando
a terra foi abalada de sua bonança,
Recordo,
de tristeza, ver o sol encobrir-se e
chorar.
Também
da tristeza, hoje, quanta tristeza senti
em mim.
Um
imenso vazio senti, daquele vazio sem
fim
Por
mãos humanas criado com sua atrocidade.
Em
transe, olhavam pranteando aquele vazio
espaço
Uma
multidão de toda a parte vinda mas
formando um só laço,
Carpia
até o Hudson com a tristeza da senhora
da Liberdade.
Um
ano depois, o primeiro aniversário
Daquele
dia que mudou o curso, deixou precário
Um
povo, uma nação, um inteiro mundo.
Hoje,
resta apenas um buraco feito pela escavação,
Os
restos se transformaram em local de
peregrinação
Aonde
tanta alma
chora em plangor
profundo.
E,
de quantos chorando
em seus olhos se lia:
Se
as lágrimas pudessem formar uma
escadaria
E
as memórias construíssem esperança,
Todos
aos céus directamente subiríamos,
E,
cantando com os anjos a Deus rogaríamos
Que
entre os homens e o Céu houvesse uma
aliança.
Lá
do alto já não se podem horizontes
contemplar.
Já
não se podem admirar as estrelas, as
nuvens tocar,
Hoje,
onde poisavam vossos pés, apenas se
lamenta e reza.
Tudo
se desfez menos uma enorme ferrugenta
cruz:
Quicas
um milagre, um sinal, um altar feito por
Jesus
Para
ai nos desafogarmos desta tão densa
tristeza.
Os
homens as elevaram em esplendor!
Outros
as derrubaram com seu furor…
Do
que foram apenas quedou a nostalgia.
Agora,
aos pés da sua vácua sepultura,
Chora-se,
lamenta-se a triste desventura,
Recorda-se
aquele trágico e funesto dia.
Denis
Cavadas
9 –9 - 02
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