Quando as aves voltam para o sul a voar

E o sol mais perto nos parece no seu trono,

Quando a lua se queda mais longa a pernoitar;

E o verão que termina o começo de Outono.

 

Os montes se adornam com brilhantes cores,

Os vales são coloridos de oiro e chama.

A lua e as estrelas quão belos esplendores!...

É deus que nos mostra que muito nos ama.

 

Um precioso presente que nos é ofertado,

Uma beleza que muitos podem jamais admirar.

Um Outubro faustoso de cem cores adornado

Que os que não vêem nem o podem sonhar.

 

Vestem-se as árvores com trajos finos

De deslumbrante vermelho, laranja ao amarelo,

Invocam as emigrantes aves seus derradeiros hinos

Cantando ate pró ano a um panorama tão belo.

 

São milhões de folhas de cores radiantes

Que a natureza maravilhosamente quis tecer.

A magia que combina com os primores deleitantes

 Do esplendor de Outono que criou deus para nos oferecer.

 

E quando Novembro já alto vai

E as roseiras de repente deixam de florir.

Quando a brisa e mais fria e uma branca cortina cai,

Muito próximo está o Inverno p’ra vir.

 

Oh ledas e frágeis folhas de Outono

Que da primavera fostes tão apraz,

Levemente caindo no seu perpetuo sono

Para se desfazerem como tudo se desfaz.

 

E cada folha castanha e seca caída.

É mágoa e pena que na terra pousa

Revelando-nos que o ledo ganho da vida,

É a aquisição do abrigo aonde a alma repousa...

 

Denis Cavadas  Nov. 2002