Escrever é Meu Fermento

 



À sós estou meditando
Emerso na solidão
Mas, é quando fico pensando
Que dito o melhor do coração.

Descrevo o pretérito
A nostalgia e o amor,
Os sonhos que temem mérito
A melancolia e a dor.

Descrevo a imaginação 
E até a deixo flutuar,
No espaço da ilusão
Que não posso alcançar... 

Escrevo em versos de poesia
A revelação de um sentimento,
Poemas que são o exultar de uma alegria
Outros o brado de um lamento.

Magoa-me a avidez e a vileza
E escrevo para desopressão.
Dói-me a fome e a pobreza
Em que tantas crianças estão!

Confunde-me a hostilidade e a guerra,
Tritura-me ver a inocência sofrer.
Magoa-me os sinistros da Terra
E não posso deixar de escrever...

Escrevo da natureza
Do Céu e seu esplendor,
Das flores e sua beleza
E a quem as ofereço com fervor.

Descrevo a primavera esperada
Que tudo faz jovem como antes,
Fico maravilhado pela borboleta alada
Passeando pelos campos verdejantes.

Escrevo do mar e sua constante agitação
Aonde por vezes procuro abrigo.
Mar cúmplice da humana insatisfação,
Mar que dos homens nunca foi amigo.

Versos faço mas poeta não sou,
Escrever é a essência da aspiração
Do anseio que tão longe quedou
Mas sempre rejuvenesce na minha inspiração.

Nem sempre tudo o que inspiro
Tem somente a ver comigo,
Escrever é um suspiro
Na alacridade de um amigo.

Escrever em versos e um fermento,
O abrir e o fechar de uma porta 
Deixando ver durante um momento
O que acredito e a outros não importa.

Não sou, mas se fosse poeta
A quem eu mais escreveria 
Seria as estrelas por certa
Ternos estrofes de poesia!... 


Autor: Denis Cavadas


Poemas de Denis Cavadas