Confesso-te Amor


Confesso-te que também amor,
Conheço o que é sofrer, sei o que é dor:
Profunda como o abismo incógnito do mar...
Também rujo na agonia sem poder bradar
Este amor imenso que vai no meu peito.

Nas noites tenebrosas, como a sós no meu leito,
Também eu clamo do teu corpo o calor.
E por não te ter, minha alma em plangor
Faz-me rolar agitado num continuo vaivém...
Como tu amor, meu coração foi cravado também...

Eu sei o que é andar na prisão desta vida,
Este mar de tristeza, esta adurente ferida...
A evulsão de sentir nossas emoções
Que agora calcinam todas nossa ilusões
Com lava de dor que é o silencio profundo.

A minha pena abutre eu não a conto ao mundo
Mesmo que sobre a terra vagueando incerto...
Sedento do teu amor pelo areal do deserto
Sou sombra vã sem rumo nem destino,
Tenho a solidão em cada despertar matutino.

Sou um lago de magoas em noites desoladas.
Sou lírio níveo com pétalas esmagadas.
Sou prisioneiro deste amor que me cresta,
Vertigens de um sonho que apenas névoa resta
Da ventura que aspiramos e nos é proibida.

Porque tarde nos conhecemos querida,
Em trevas caminho pelo negro horizonte
Ansiando como tu encostar-mos nossa fronte
E, na profunda nudez de cada noite escura
Anelo teus braços que são minha visão de ventura.

Quero gritar aos quatro cantos do mundo
Que não nos podemos calar neste silencio profundo...
Não queremos que se apaguem em desfeitas ilusões
A chama rubra que hoje alenta nossos corações,
Tornando-se pranto da nossa dor eterna...

Emerge do meu peito como duma caverna
Este grito vital para se fazer ouvir:
Quero este afecto, este amor com amor cingir.
Esta veemência que de sonhar me dá bonança,
Anseia que realidade se torne e, não seja só esperança...

Autor: Denis Cavadas